Dias depois, ainda em convalescença, são João Paulo II leu o Terceiro Segredo de Fátima, antes conhecido só pelos papas e depois tornado público. Escrito pela Irmã Lúcia, o segredo descreve a visão do papa, "aflito de sofrimento e tristeza", rezando "pelas almas dos mortos que encontrava no caminho".
São João Paulo II jamais deixou de agradecer a Nossa Senhora por ter salvado sua vida. “Uma mão disparou o tiro, e outra guiou a bala”, disse ele em entrevista ao escritor francês André Frossard. Depois de receber alta do hospital e retomar as audiências gerais na praça de São Pedro, depois de cinco meses de internação, ele disse também ter experimentado “a extraordinária proteção materna que se mostrou mais forte do que o projétil mortal”.
O atentado não foi fatal “graças à proteção da Virgem”
Em 1982, são João Paulo II celebrou a Santa Missa em Fátima e consagrou o mundo a Nossa Senhora. Em 13 de maio de 2000, ele beatificou os pastorinhos Francisco e Jacinta no santuário português. Hoje, Leão XIV disse que a tentativa de assassinato contra seu antecessor não foi fatal “graças à proteção de Nossa Senhora, como ele mesmo confirmou de muitas maneiras”.
Por essa razão, disse Leão XIV, a catequese de hoje foi dedicada à "Virgem Maria, modelo da Igreja" e ao seu antecessor, cujo lema era Totus tuus (Todo teu).
O papa prosseguiu, assim, seu ciclo de catequese sobre o Concílio Vaticano II, concentrando-se no capítulo final da constituição dogmática sobre a Igreja, Lumen gentium. Em Nossa Senhora, disse ele, “é possível reconhecer tanto o modelo, como o membro excelente e a mãe de toda a comunidade eclesial”.
“Maria é modelo perfeito daquilo que toda a Igreja é chamada a ser, criatura da Palavra do Senhor e mãe dos filhos de Deus gerados na docilidade à ação do Espírito Santo”, disse ele. “Além disso, uma vez que é a crente por excelência, em quem nos é oferecida a maneira perfeita da abertura incondicional ao mistério divino na comunhão do santo povo de Deus, Maria é membro eminente da comunidade eclesial”.
O papa disse também que Nossa Senhora é a "mulher ícone do Mistério", a quem foi concedida a extraordinária experiência de se tornar a mãe do Messias.
“Nela se concretiza o duplo movimento de descida e subida: nela resplandecem tanto a eleição gratuita por parte de Deus, como o livre consentimento da fé n’Ele”, disse Leão XIV. “Por conseguinte, Maria é a mulher ícone do Mistério, ou seja, do desígnio divino de salvação, outrora escondido, e revelado plenamente em Jesus Cristo”.
“Na Virgem Maria reflete-se inclusive o mistério da Igreja: nela, o povo de Deus encontra representados a sua origem, o seu modelo e a sua pátria”, disse ele.
Nossa Senhora, “modelo da fé virginal” e da “caridade materna”
Na Mãe do Senhor, a Igreja contempla o seu próprio mistério, disse o papa, “não só porque nela encontra o modelo da fé virginal, da caridade materna e da aliança esponsal a que é chamada, mas também e sobretudo porque nela reconhece o próprio arquétipo, a figura ideal daquilo a que é chamada a ser”.
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FONTE/CRÉDITOS: ACI Digital
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Vatican Media