O papa Leão XIV falou hoje (24) sobre a importância da escrita e a descreveu como uma expressão humana da verdade que, em última instância, conduz a Deus.
Em uma audiência com um grupo de autores, Leão XIV falou sobre o valor duradouro da literatura em meio à rápida digitalização. Em seu discurso, ele incentivou os autores a inspirar os leitores a buscar a verdade por meio de suas obras.
O encontro entre o papa e os escritores marcou o centenário da Livraria Editora Vaticana, também conhecida como Libreria Editrice Vaticana, abreviada para LEV.
“Escrever, como sabeis, é um ato de verdade, de revelação, pois revela quem somos, aquilo em que acreditamos e o que esperamos, o mundo pelo qual lutamos e o futuro com que sonhamos”, disse Leão XIV. “Nunca somos senhores da verdade; se tanto, é a verdade que nos conquista. Por isso, espero que inspireis outros a sentirem-se atraídos pela verdade, porque vós próprios vos sentis atraídos por ela”.
O papa disse que a escrita, como exercício humano, em última análise, leva a Deus.
“Quando mergulhamos nas profundezas da nossa humanidade, não estamos longe de Deus; pois é ali, no meio de histórias profundamente humanas, que Deus se revela”, disse Leão XIV.
O discurso do papa aos escritores segue uma fala semelhante proferida aos funcionários da Livraria Editora Vaticana em 7 de maio, também realizada para marcar seu centenário.
A Livraria Editora Vaticana foi fundada em 1926 como editora oficial de todos os textos do papa e da Santa Sé.
Encontro através da literatura na era da IA
Vários autores falaram sobre o discurso do papa em comentários feitos a jornalistas depois da audiência.
Jonathan Safran Foer, autor judeu-americano aclamado pela crítica, descreveu o encontro como revelador do poder da escrita para fomentar a empatia pelo sofrimento alheio.
“Escrever é uma ótima maneira de nos abrir para a empatia e nos conscientizar do sofrimento no mundo”, disse Foer à EWTN News. “É muito fácil ignorar alguém que você não vê. É muito difícil ignorar alguém que está na sua frente. E, em sua melhor maneira, a arte traz o outro para perto de você. Ela cria esses encontros”.
Outros autores discutiram os desafios enfrentados por escritores na era da inteligência artificial (IA). Paul Elie, escritor americano e pesquisador sênior da Universidade de Georgetown, nos EUA, elogiou o papa Leão XIV por destacar a necessidade de escritores no mundo atual.
“A inteligência artificial — sem dúvida, é uma ameaça à literatura e à escrita, e o papa abordou isso hoje. 'Precisamos de vocês', disse ele. Uma das razões pelas quais o mundo precisa de escritores é que ainda escrevemos como um ato livre, não como algo criado por um algoritmo”, disse Elie à EWTN News.
Colum McCann, escritor irlandês de ficção literária, disse: “O Santo Padre tem falado sobre histórias e narrativas, linguagem, linguagem desarmante e como a IA penetrou o mundo da narrativa. Se chegarmos ao âmago do mistério humano, chegaremos ao âmago da verdadeira narrativa e do engajamento. Esperamos, então, de algum modo, reunir [a humanidade] novamente nestes tempos de divisão”.
Este conteúdo apareceu primeiro no ACI Digital.
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