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A recente e contundente exortação do Cardeal Gerhard Ludwig Müller aos bispos alemães reacendeu o debate sobre os limites da atuação política de autoridades eclesiásticas.
As declarações do purpurado surgem em meio a um cenário tenso na Alemanha, onde alguns prelados têm se manifestado publicamente contra o partido Alternativa para a Alemanha (AfD), chegando a afirmar que a Igreja deveria aceitar o risco de perder fiéis que apoiam a sigla.
A posição, incomum na tradição católica, provocou forte reação.
Müller, ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, criticou de forma direta a postura dos bispos que, segundo ele, estariam ultrapassando o campo pastoral ao intervir em disputas eleitorais.
O cardeal recordou que “os apóstolos e seus sucessores foram instituídos para proclamar o Evangelho, chamar os pecadores à conversão e comunicar a vida da graça por meio dos sacramentos”, enfatizando que essa é a missão essencial do episcopado.
Para o cardeal, a autoridade espiritual não pode ser instrumentalizada em disputas partidárias.
Ele foi categórico ao afirmar que bispos e padres “em hipótese alguma devem colocar sua autoridade espiritual em jogo” na busca por maiorias eleitorais, seja a favor ou contra qualquer partido político.
“Isso seria um abuso da autoridade espiritual para fins políticos”, advertiu.
Müller reconhece que a Igreja tem o dever de defender os direitos humanos, a dignidade da pessoa e temas que ultrapassam interesses nacionais — como paz, justiça social e proteção da vida.
No entanto, ele rejeita a ideia de que um bispo possa considerar aceitável a perda de fiéis por divergências partidárias.
“Um bispo católico […] não pode em caso algum aceitar a ‘perda de fiéis’ eleitores por causa deste ou daquele partido”, argumentou.
Ao final de sua reflexão, o cardeal classificou como “grave escândalo” a presença de bispos, padres ou instituições católicas ao lado de “agitadores político-ideológicos”.
Para Müller, essa aproximação transforma a Igreja em ator político e obscurece sua identidade como “sacramento da vontade salvífica universal de Deus”.
Ele concluiu com um alerta:
“Para manter no poder um governo temporariamente eleito ou para satisfazer as aspirações de poder de partidos e coligações, um bispo nunca deve pôr em risco a salvação eterna daqueles católicos que não votam como ele gostaria.”
A intervenção de Müller reacende a discussão sobre o papel da Igreja na esfera pública e reforça a tensão entre engajamento social e neutralidade partidária dentro do episcopado alemão.
Vida longa ao Cardeal Müller!
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