O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou seu discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas nesta terça-feira (22) tecendo críticas à própria ONU. Na avaliação do petista, a credibilidade da entidade “nunca esteve tão baixa”, haja vista que ela tem falhado em sua principal missão: “livrar a humanidade do flagelo da guerra”.
– Desde que ocupei pela primeira vez essa tribuna em 2003, esse é o momento mais crítico das Nações Unidas. O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando hoje em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exército, nem arsenais, nunca foi tão pequena – observou o petista.
Na sequência, Lula criticou o Conselho de Segurança, cujos membros permanentes com poder de veto são China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.
– Somos todos reféns de um imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel. Em 1946, já na primeira sessão desta Assembleia, o Brasil alertou para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto. Esse vício conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez. À esse pecado original soma-se agora a uma profunda crise de liderança – adicionou.
O petista disse ainda que o ano de 2025 registrou o “maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial”, e que a “guerra não é a continuação da política por outros meios, é a falência total da política”.
– Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista, tensões geopolíticas ameaçam transformar confrontos regionais em uma conflagração de proporções globais. Os que detém as rédeas das decisões cruciais devem atuar com responsabilidade e sentido de urgência. Os líderes dos países que integram o Conselho de Segurança precisam se reunir. Não desconheço a realidade do poder, mas as concessões à lei do mais forte já passaram dos limites. Isso não é idealismo, é o mais puro realismo – assinalou.
Por tradição, o Brasil é sempre o primeiro a discursar na Assembleia Geral da ONU. Isso porque a delegação brasileira se voluntariou para abrir os debates nos primeiros anos da organização, uma época em que outros países resistiam a assumir tal responsabilidade.
Assista ao discurso completo de Lula a seguir:
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