O ministro da Defesa de Lula, José Múcio Monteiro, afirmou que o Brasil não teria condições de enfrentar militarmente os Estados Unidos em um cenário hipotético de invasão.
Em tom de brincadeira, disse que “abriria o portão” diante de uma ofensiva norte‑americana, destacando a falta de equipamentos e recursos das Forças Armadas.
Durante evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre transporte marítimo e indústria brasileira, Múcio relatou a pergunta feita por um jornalista:
“Se os Estados Unidos quiserem invadir o Brasil, o que o senhor faz como ministro da Defesa?”
Segundo ele, a resposta veio acompanhada de risos:
“Abrir o portão, porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los nem tem dinheiro para consertar o portão.”
A fala ocorreu pouco antes de os Estados Unidos revogarem o visto da embaixadora brasileira em Washington, episódio que elevou a tensão diplomática entre os dois países.
Defesa sob restrições orçamentárias
Múcio aproveitou o discurso para defender a ampliação dos investimentos em defesa e a criação de um fluxo orçamentário previsível para projetos estratégicos.
Ele afirmou que o Brasil investe menos que outros países da região e enfrenta dificuldades para manter programas de longo prazo.
O ministro citou o alto custo de equipamentos estratégicos — como submarinos e aviões de combate — e reconheceu que muitas vezes falta disposição política para reivindicar verbas diante de outras prioridades nacionais.
“Você chega a não ter coragem de pedir esse dinheiro porque o Brasil precisa de outras oportunidades”, afirmou.
Defesa como prevenção
Múcio comparou os investimentos militares a um plano de saúde: “A gente escolhe o melhor torcendo para não precisar usar.”
Ele reforçou que o objetivo não é preparar o país para conflitos ou invasões, algo que, segundo ele, não faz parte da vocação brasileira.
O ministro destacou ainda que o fortalecimento da área de defesa está diretamente ligado ao desenvolvimento tecnológico e industrial.
Ele disse ter insistido com o presidente da República e outros integrantes do governo sobre a necessidade de previsibilidade orçamentária para manter projetos estratégicos.
Indústria de defesa mira exportações
Ao comentar avanços recentes, Múcio afirmou que o Brasil se prepara para ampliar sua presença no mercado internacional de produtos militares.
“O Brasil hoje se prepara para exportar submarinos, aviões e blindados”, declarou.
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