O estudo sugere que a narrativa de combate à desinformação teve maior alcance no debate público do que a própria acusação originalmente direcionada ao candidato.
Outros temas também ganharam espaço nas discussões.
Cerca de 9,9% das menções expressaram preocupação com a influência evangélica em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, enquanto 9,4% abordaram decisões da Justiça Eleitoral relacionadas à remoção de conteúdos considerados falsos.
Já as manifestações de fé, incluindo orações e homenagens à santa, corresponderam a 8,1% das publicações, sem indicar necessariamente rejeição ao candidato.
O levantamento foi realizado com base em 150 mil menções publicadas nas plataformas X e Instagram entre os dias 24 e 26 de setembro.
As postagens analisadas tratavam do embate político envolvendo A Padroeira do Brasil e seus desdobramentos nas redes sociais.
A pesquisa também identificou o aprofundamento de tensões religiosas no debate.
As denúncias de hostilidade contra católicos responderam por 5,2% das menções, enquanto as críticas ao preconceito contra evangélicos somaram 4,9%.
Já as manifestações contrárias à devoção de imagens religiosas representaram apenas 2,2% do total.
O impacto eleitoral do episódio apareceu em 4,7% das discussões.
Para o CEO da AP Exata, Sergio Denicoli, a campanha de Flávio Bolsonaro obteve sucesso ao enquadrar o episódio como um caso de desinformação.
“No caso da santa, a campanha do Flávio foi muito eficaz. Ela conseguiu realmente colocar a ideia de que é fake news. Acho que isso foi bem estabelecido. Claro que sempre vai ter gente que vai se envolver com essa fake news, que vai acreditar, mas de uma forma geral eles conseguiram dominar o debate, que foi muito focado na ideia de difusão de fake news”, afirmou Denicoli à CNN.
Na avaliação da consultoria, o episódio mostra como disputas políticas associadas a temas religiosos podem rapidamente extrapolar a questão original e transformar-se em debates mais amplos sobre desinformação, intolerância religiosa e liberdade de expressão nas plataformas digitais.
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FONTE/CRÉDITOS: DIÁRIO DO PAÍS
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Marina Uezima/Agência O Dia/Estadão Conteúdo