O bispo da Diocese de Piracicaba (SP), Dom Devair Araújo da Fonseca (foto), reagiu neste sábado (19.set.2026) às declarações do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre possíveis mudanças nas regras da Igreja Católica.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o religioso criticou o que classificou como tentativas de interferência de agentes políticos em temas internos da instituição religiosa.
A manifestação ocorre após falas de Lula durante um encontro com lideranças evangélicas no Palácio do Planalto, realizado na última quarta-feira (16.set.2026).
Na ocasião, o presidente afirmou ter conversado com o Papa Francisco sobre transformações que, em sua avaliação, poderiam ser discutidas pela Igreja Católica.
Entre os temas mencionados estavam o fim da obrigatoriedade do celibato para padres e a possibilidade de mulheres assumirem funções hoje restritas ao clero masculino, incluindo a ordenação sacerdotal e episcopal.
Sem citar diretamente o nome do Lula, Dom Devair fez críticas durante uma homilia e afirmou que políticos deveriam concentrar esforços na administração do país, em vez de opinar sobre questões doutrinárias da Igreja.
"Estão vendo políticos que tentam dizer até o que a Igreja precisa fazer. Tentam falar até do celibato dos padres, quando deviam estar cuidando do país", declarou.
Em tom de mobilização dos fiéis, o bispo também abordou o cenário político e eleitoral. Ele incentivou a participação dos católicos nas eleições e defendeu o exercício consciente do voto.
"Nós precisamos reafirmar sempre mais com força que na Igreja de Cristo o diabo não põe a sua pata", afirmou.
Assista ao vídeo:
A repercussão das declarações de Lula ultrapassou o ambiente religioso e chegou ao Congresso Nacional.
A Frente Parlamentar Católica da Câmara dos Deputados divulgou posicionamento em defesa da autonomia das comunidades religiosas para definir suas próprias normas, crenças e orientações internas, sem interferência externa.
Ao comentar temas ligados à Igreja Católica, Lula associou o debate às transformações religiosas observadas nas últimas décadas no Brasil.
Segundo Lula, questões relacionadas à estrutura da instituição estariam entre os fatores que ajudam a explicar a perda de fiéis católicos e o avanço das igrejas evangélicas no país.
O episódio amplia o debate sobre a relação entre política e religião em meio ao ambiente eleitoral, tema que deve permanecer no centro das discussões entre lideranças religiosas e candidatos ao longo da campanha.
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